«Deixa-me essa porcaria assim, parece uma cabeça. Está tudo mal feito», resmungo, a respirar fundo. «E ainda me esqueceram de algumas peças. Peças marcadas ao contrário, cortes errados.

»
Olho para a lista e aponto. «Na cota 6, as peças 6 e 14 também estão erradas. Puxa. As 14 e 15 estão mal.
As 163, cinco peças… dezoito, que irritação. »
Suspiro, a tentar acalmar-me. Depois olho para o espaço à minha volta e começo a pensar noutra coisa, para não me exasperar mais. «Bem, se eu quiser, posso pôr aqui uma câmara.
O problema é onde a ligo. Aqui também preciso de uma tomada. Isto até pode funcionar com cabo USB-C, mas precisa de corrente. Pensei que a caixa de derivação resolvesse.
»
Encolho os ombros. «Não preciso de muita coisa. É só para o USB-C. Não precisa de 240 volts, nada disso.
»
«O que eu queria mesmo era conseguir ligar a serra de painéis da nave toda, ou então o exaustor por cima», digo, a pensar em voz alta. «Já dá para fazer tudo com proteção de 16 amperes aqui dentro. »
O outro homem acena. «Sim, deve dar.
»
«Eu não quero andar aqui com grandes complicações. Aquela coisa que está na parede, a tomada… se cá estiver, posso descer o cabo daqui e ligar à prensa. Consigo apanhar isto com ela. »
Ele olha para o teto.
«Se queres o exaustor lá em cima, vais precisar de ligar no teto. »
«Mas eu quero assim, à FIFO 50Y. Se tiver o exaustor mesmo por cima, consigo apanhar o resto, porque fica mesmo aqui em cima. A bola, no fundo, fica na profundidade como a lâmina, presa ao teto.
E depois ponho a câmara em baixo, e podes ver. »
«Pois, mas levantei isto com o Chogo. Se a puseres ali, e se ela cair, pelo menos não fica no exaustor. »
«Sim, mas podes sempre dizer: ok, agora abres aqui na frente.
»
«Eu punha-a na bola, naquela ali. »
«Então podes enrolar, porque aquilo está no caminho. »
«Pois, era o que eu receava. »
«Ou então metes uma barra transversal e penduras lá a câmara.
»
«Não sei bem como é com o calor no inverno, se aquecer aqui. Mas quase nunca ligo o aquecimento, diga-se de passagem. Mesmo assim, a câmara pode dizer que não. »
Ele pensa.
«Se a puseres ao lado do aquecedor e a apontares para o meio do campo, fica bem. »
«Exato. E se for uma articulada, dá para apanhar tudo. Eu quero uma que rode.
Consigo captar o campo inteiro. E quero o cabo afastado, talvez dois metros. »
«E quero apontá-la para aqui, porque quando a prensa está a trabalhar, aparece sempre gente a ver», explico. «Não sei porquê, mas quando a prensa está a funcionar, há sempre dez ou quinze pessoas à frente.
Sem brincadeira. É interessante, não sei. Consigo perceber um bocadinho, porque eu próprio fico ali a ver. Não sei porquê, mas tem qualquer coisa.
»
«Quando está a comer, também há gente a olhar. »
Rimos. «Pois, isso já dá para começar. Por isso é que quero transmitir a imagem para ali.
»
«Mas se ligares aqui em baixo, eu costumo atar transversalmente. Daqui não se apanha tão bem, mas dali é espetacular, se vier de lá também. »
O homem franze a testa. «Mas então ficavas a apanhar melhor se fizesses aqui em cima.
»
«Claro, por cima. Mas o problema é que daqui não se vê bem o rolo, porque o rolo está à frente e o ângulo…»
«Pois, mas podes sempre…»
«Não, espera. Se puseres aqui em cima, o ângulo de visão não apanha o rolo como deve ser. O rolo fica à frente e o ângulo perde-se.
»
Ele coça a cabeça. «Então o que é que queres fazer exatamente? »
«Eu quero pôr a câmara na bola, no ponto onde apanha o campo todo. Se fizer um furo ali e passar o cabo, ligo à caixa.
Assim não fica no exaustor, e consigo ver tudo, até as pessoas que vêm ver a prensa. »
«E se precisares de manutenção? »
«Desço a bola e puxo o cabo. Dois metros chegam.
Não preciso de muito mais. »
Ele olha para o teto, para as vigas, para a parede onde está o quadro elétrico. «Então vamos fazer o seguinte: passamos o cabo pelo teto, descemos junto à coluna e ligamos à tomada que está na parede. Fica protegido por 16 amperes, que é suficiente para a câmara e para o que precisares.
»
«E a antena? Se transmitir daqui, apanha bem? »
«Se puseres a antena aqui ao lado, apanha. A distância é curta.
»
Penso por um momento. «Então fazemos assim. Passo o cabo pelo teto, desço junto à coluna, ligo à tomada. A câmara fica na bola, articulada, a apanhar o campo todo.
E quando a prensa estiver a trabalhar, as pessoas que vierem ver aparecem no ecrã. »
Ele acena. «É um bom plano. Ainda hoje tratamos disso.
»
Ainda olho uma vez para a lista das peças erradas. «Ao menos isto fica resolvido. Agora as peças é que vão ter de ser refeitas. »
«Mandas vir outras?
»
«Não. Vou marcar eu mesmo as medidas certas e fazer os cortes à mão. Não quero que me tornem a estragar o serviço. »
Ele ri-se.
«Força, então. Eu trato da instalação elétrica enquanto tu fazes os cortes. »
«Combinado. »
Volto-me para a bancada, pego na fita métrica e nas novas peças.
O problema da câmara ficou resolvido; agora era só corrigir o que veio mal.


