Valéria estava na loja infantil, sonhando com o enxoval do bebê que ainda não sabia se seria menino ou menina. Tinha apenas seis semanas de gestação e mal podia esperar para contar a novidade ao marido, Eduardo, que voltava de viagem em dois dias. Mas o telefone tocou e a encarregada do atelier, dona Margarida, a despediu sem explicação, com palavras grosseiras e acusações injustas. No atelier, Valéria encontrou olhares hostis e dona Margarida furiosa, dizendo que ela era uma ingrata.

Assinou a rescisão sem entender o motivo. Só quando consultou o fórum da cidade descobriu que alguém tinha publicado, em seu nome, ofensas contra o atelier e avaliações mentirosas sobre o seu trabalho. As clientes a acusavam de ter amante, de beber, de ter mudado. Valéria nunca tinha se registrado naquele fórum.
Mas ninguém queria ouvi-la. A sogra, dona Antônia, também a condenou, dizendo que Eduardo já sabia de tudo. Eduardo, frio e distante, não a cumprimentou na manhã seguinte. Valéria tentou conversar, mas ele a acusou de traição e lhe deu três dias para sair de casa.
Ela implorou, contou da gravidez, propôs fazer exame de paternidade, mas Eduardo a olhava com desprezo. O apartamento estava em nome dele, e ele a expulsou. Valéria tentou encontrar trabalho em outros ateliês, mas a sua reputação estava destruída. Sem dinheiro e sem lugar para ficar, não teve escolha: voltou para a velha casa da avó, no interior.
Lá, enquanto limpava o sótão, encontrou uma caixa antiga e valiosa, com cartas, um diário da avó e um anel de pedra vermelha. O diário revelou a história da sua mãe, Luciana, que tinha sido enganada pela sogra, Sônia, e abandonada grávida pelo noivo, Roberto. Luciana não suportou e tirou a própria vida, deixando Valéria órfã. Valéria decidiu fazer justiça.
Com o dinheiro do penhor da caixa, viajou para a cidade onde vivia a família João. Descobriu que Sônia estava cega e precisava de uma assistente. Valéria se candidatou e foi aceita, escondendo a sua verdadeira identidade. Aos poucos, aproximou-se do avô, João, que lhe contou, sem saber, a história da sua mãe e o arrependimento da família.
Roberto, o pai de Valéria, nunca tinha perdoado a mãe e se recusava a vê-la. Sônia, depois de uma operação arriscada, recuperou a visão e, num jantar, apresentou Valéria ao filho. Roberto reconheceu a filha pela semelhança com Luciana. Valéria confirmou o sobrenome da mãe, e Roberto a abraçou, emocionado.
Levou Valéria e o neto para a sua casa, onde finalmente poderiam ser uma família.


