Me chamo Henrique, tenho 68 anos e passei a vida inteira trabalhando como contador numa cidade do interior do Paraná. Na segunda-feira, eu estava saindo do cemitério com as flores ainda frescas na lápide. Quando cheguei em casa, abri a gaveta do criado-mudo e vi que a caixinha de couro tinha sumido. Perguntei à Patrícia, minha esposa, se ela tinha visto a caixa do relógio do meu pai.

Ela respondeu sem levantar os olhos do celular: “O que precisava de dinheiro, você não me deu quando eu pedi e eu resolvi do meu jeito. ” Aquele relógio era do meu pai. Minha esposa vendeu o relógio do meu avô.
Fechei a porta do quarto e fiquei parado no corredor por um longo tempo.


